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Milicianos do pensamento
Escrito por Yuri TurbaeÉ comum perceber o pensamento molenga proferido por vários setores da vida social a respeito da ética, os jargões moralizantes balbuciados são multiplicados como vírus no campo social, onde a noção de democracia torna-se refém do volume de bestialidades que são ostentadas, sem o menor pudor com a filosofia, pelos tablóides, jornais, pelos setores que acreditam que são portadores de algum compromisso intelectual , enfim os demais meios de publicidade que giram em torno do campo de rivalidades que é o núcleo da democracia. Em terra de algozes do pensamento, a democracia tutela a emissão de rinchados intelectuais de forma impune, sem que haja sanção estatal, não há crime em pronunciar críveis ofensas ao pensamento, essa é a grave conseqüência a ser suportada.
Em múltiplos setores do campo social, todos os anos, empenham-se em vender suas promessas éticas para a grande população refém de um suporte mínimo de resistência intelectual e singular. Geralmente a positivação de um valor moralizante, por esses setores sociais, encampa uma formatação dos ideais entre mocinhos e bandidos provenientes das revoluções liberais do séc. XVIII e de conceitos clássicos da sociologia na tentativa desenfreada de referendar seus objetivos retóricos sobre a suposta construção de uma sociedade justa e fraterna, apartando deste movimento e eliminando de seus referenciais as noções filosóficas tão caras na modernidade como a indagação sobre a ética. Não obstante os grupos milicianos do pensamento que se arvoram em responder a esta indagação categoricamente num bate pronto jurisdiques, no campo da ética o desafio em enfrentar a constituição desse problema filosófico redobra uma atitude com o pensamento com um grau maior e mais impetuoso, kantianamente falando, mister coragem para sair do estado de menoridade que nos é imposta e controlada pelos milicianos do pensamento que monopolizam as estruturas que estão de fora de nós e dentro de nós. Nessa linha, a ética é vista como uma provocação aos conceitos tradicionais sobre a liberdade do pensamento e sobre o que é constituído o próprio pensamento, pensar não é reproduzir indecentemente conceitos e fórmulas teóricas que já foram absorvidas pelo cenário social com o fim apresentar erudição e manipular vaidades, isto não é pensar, isto é excrescência intelectual, ou, ser portador de uma grave crise psicótica.
Importante, portanto, ir além das trincheiras do arcabouço mental dos milicianos do pensamento que alimentam em suas falas os velhos e enfraquecidos conceitos de dignidade da pessoa humana, de justiça social, de fraternidade, de democracia, de interesse público e demais standards que são pronunciados cotidianamente sem a menor cerimônia com a filosofia, enfim, pra que serve a filosofia, se não for a demonstração mais salutar que o homem moderno pode ser mais idiota e decadente do que já é.
Esse homem moderno fruto do socratismo que embotou o sentido trágico da vida, inaugurando uma visão otimista e racional das forças que estão em combate na experiência empírica da existência, eliminando da vida a sua mais alta patente, qual seja, a sua própria afirmação, repercute na voz dos milicianos do pensamento como bandeira esposada de ética e de hombridade , como uma crença inabalável de que as idosas fórmulas conceituais possuem os instrumentos adequados para conhecer e corrigir as conseqüências nefastas que são geradas pelo atual capitalismo moderno, enfim, em terra de cego que tem um olho é rei.
Yuri Turbae

